Praticando aquilo que chama internamente de curadoria inversa, a holding fundada por Antonella Giancoli constrói cada itinerário a partir do que deve ser deliberadamente excluído, tratando a recusa de atrações saturadas como decisão tão estratégica quanto qualquer experiência efetivamente incluída no roteiro
A maioria dos roteiros de viagem é construída por adição: soma-se um museu, mais um restaurante recomendado, mais um mirante famoso, até que a agenda pareça completa, independentemente de essa acumulação de pontos turísticos fazer sentido para o ritmo e os interesses reais daquela família específica. A Benarrivati, holding internacional de viagens fundada por Antonella Giancoli, inverte essa lógica ao construir parte de seus itinerários por subtração, decidindo primeiro o que não deve constar no roteiro, antes mesmo de pensar no que deve ser incluído para aquela família específica.
Esse processo começa com um mapeamento dos pontos mais saturados de cada destino, aqueles que aparecem em praticamente qualquer guia de viagem disponível publicamente e que costumam concentrar o maior volume de visitantes em determinados horários do dia. A partir desse mapeamento, a equipe de curadoria decide, de forma deliberada, quais desses pontos serão evitados, mesmo quando a fama de determinado lugar pressiona qualquer roteiro convencional a incluí-lo automaticamente na programação sugerida.
“Não incluir um lugar famoso no roteiro exige mais coragem do que incluí-lo. É preciso confiar que existe algo melhor esperando naquele mesmo destino” — Antonella Giancoli
No lugar dos pontos excluídos, a equipe propõe alternativas menos conhecidas, descobertas ao longo de anos de presença física em cada território: um mirante sem placas indicativas, um restaurante familiar sem presença em qualquer aplicativo de avaliação, um trajeto que evita deliberadamente a rota mais movimentada entre dois pontos turísticos populares da região visitada. Essas descobertas costumam resultar de vínculos pessoais construídos ao longo de anos entre a equipe local e moradores dispostos a compartilhar lugares que preferem manter fora de qualquer roteiro amplamente divulgado.
Esse tipo de curadoria exige alinhamento cuidadoso de expectativas antes da viagem, já que alguns clientes podem inicialmente estranhar a ausência de um ponto turístico amplamente conhecido em seu itinerário. Conversas prévias entre a equipe da Benarrivati e a família ajudam a explicar essa filosofia, evitando qualquer sensação de que algo relevante ficou de fora por descuido, e não por decisão deliberada da curadoria, reforçando que cada ausência foi cuidadosamente avaliada antes de ser confirmada no roteiro final.
Com o tempo, muitas famílias que inicialmente estranharam essa abordagem passam a solicitá-la explicitamente em viagens seguintes, tornando-se defensoras convictas da lógica de subtração aplicada pela companhia desde a primeira experiência vivida sob essa filosofia, é frequentemente recomendado o mesmo método a outras famílias que planejam contratar a Benarrivati pela primeira vez.
Antonella Giancoli resume a curadoria inversa como um dos princípios mais difíceis de comunicar, porém mais valiosos, da atuação da Benarrivati: entender que evitar o óbvio exige tanto conhecimento quanto propor o extraordinário. Para a fundadora, essa disciplina só se sustenta quando toda a equipe compartilha o mesmo nível de convicção sobre o valor daquilo que decide não incluir em cada roteiro. É essa disciplina de recusa que diferencia, na prática, um roteiro da companhia de qualquer itinerário construído apenas por acúmulo de atrações populares.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais treinadas sob acordos estritos de confidencialidade, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela originalidade de cada projeto, a Benarrivati transforma a recusa deliberada em uma das ferramentas mais valiosas de sua curadoria.
