Manutenção preventiva em hotéis: Veja como montar uma escala eficiente

Juliette Corvain Por Juliette Corvain 12 Visualizações
Gianmarco Marchetti

Como administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., Gianmarco Marchetti esclarece que a manutenção preventiva em hotéis é o fator que separa uma operação estável de uma sequência de imprevistos caros. Inclusive, a maioria dos problemas enfrentados na alta temporada começa meses antes, quando pequenos sinais de desgaste passam despercebidos na rotina diária.

Todavia, organizar essa escala exige método, e não apenas boa vontade da equipe técnica. É preciso mapear equipamentos críticos, definir periodicidade de inspeção e distribuir responsabilidades entre os setores. Quer entender como estruturar esse processo sem comprometer a operação nos meses de maior ocupação? Acompanhe os próximos tópicos.

Qual a diferença entre manutenção corretiva e preventiva?

A manutenção corretiva age depois que o problema já apareceu, geralmente com o quarto indisponível e o hóspede prejudicado. Já a preventiva antecipa falhas, seguindo um calendário de revisões que reduz a chance de paradas inesperadas. Isto posto, hotéis que dependem apenas da correção acabam pagando mais caro, tanto em reparo quanto em reputação.

Aliás, essa diferença se torna decisiva justamente nos períodos de maior demanda, frisa Gianmarco Marchetti, gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006. Um ar-condicionado que falha em julho ou um chuveiro que para de funcionar em dezembro não é apenas um transtorno técnico: é um quarto a menos disponível para venda, em um momento no qual cada unidade ocupada tem peso direto na receita do mês.

Por que a interdição de quartos custa tanto na alta temporada?

Interditar um quarto na alta temporada significa perder receita em um período no qual a taxa de ocupação já está no limite da capacidade instalada. Tal como ressalta Gianmarco Marchetti, o impacto vai além da diária não vendida: envolve realocação de hóspedes, ajustes de reserva e, em casos recorrentes, avaliações negativas que afetam a percepção da marca. Reduzir esse risco depende de uma escala bem construída, que distribua as inspeções ao longo do ano em vez de concentrá-las às vésperas da temporada. Tendo isso em vista, os seguintes pontos merecem atenção prioritária nesse planejamento:

  • Climatização: revisão de filtros e gás refrigerante antes dos meses de maior calor;
  • Hidráulica: checagem de vazamentos, pressão e aquecimento em todos os apartamentos;
  • Elétrica: teste de disjuntores, tomadas e iluminação de áreas comuns;
  • Elevadores: manutenção contratada com periodicidade fixa e documentação atualizada;
  • Enxoval e mobiliário: inspeção de desgaste que possa gerar reclamação recorrente.

Com esses itens mapeados, a equipe consegue priorizar o que realmente compromete a operação, evitando que a escala vire uma lista genérica sem aplicação prática.

Gianmarco Marchetti
Gianmarco Marchetti

Como estruturar a escala de manutenção preventiva?

O primeiro passo é classificar os equipamentos por criticidade: o que afeta diretamente a disponibilidade do quarto entra em um ciclo mais curto de inspeção. Segundo Gianmarco Marchetti, essa hierarquia evita que itens simples, como uma torneira, recebam a mesma prioridade de um sistema de climatização central.

Isto posto, depois de definida a criticidade, cabe estabelecer a frequência de cada revisão e nomear um responsável direto por acompanhá-la. Um erro comum é deixar a manutenção como tarefa coletiva, sem dono definido, o que costuma resultar em atrasos e revisões esquecidas justamente nos períodos de maior movimento.

Qual o papel da governança e da recepção nesse processo?

A manutenção preventiva não deve ficar restrita ao setor técnico. Camareiras e recepcionistas identificam falhas antes de qualquer inspeção programada, desde que exista um canal simples para reportar esses sinais. Desse modo, integrar essas equipes ao fluxo de manutenção antecipa problemas que passariam despercebidos até a próxima vistoria. Esse alinhamento reduz o tempo entre a identificação do defeito e o reparo, o que impede que um problema pequeno evolua para uma interdição completa do quarto justamente na semana de maior ocupação.

O que muda na prática ao adotar uma escala preventiva consistente?

Em conclusão, os hotéis que adotam uma escala preventiva bem definida chegam à alta temporada com menos surpresas e mais previsibilidade operacional. Conforme destaca o administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., Gianmarco Marchetti, a equipe deixa de apagar incêndios e passa a atuar de forma planejada, o que reflete diretamente na experiência do hóspede e na taxa de ocupação vendável. Assim, mais do que evitar prejuízo, essa organização constrói uma reputação de confiabilidade que se sustenta ao longo do ano, e não apenas nos meses de pico.

Compartilhe esse artigo