Daniel Mors detalha o que muda entre um laudo GIA e o de outro laboratório 

Juliette Corvain Por Juliette Corvain 7 Visualizações
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Conforme pontua Daniel Mors, empresário especialista em negócios com minérios, dois laudos podem usar os mesmos termos técnicos e, ainda assim, descrever pedras de qualidade bem diferentes entre si. Isso acontece porque nem todos os laboratórios de certificação seguem o mesmo grau de rigor na avaliação de um diamante. 

Confira a seguir por que essa diferença de rigor entre laboratórios pode mudar completamente o valor real de uma pedra.

Por que nem todos os laboratórios seguem o mesmo rigor técnico?

Existem hoje diversos laboratórios reconhecidos internacionalmente, como GIA, HRD, IGI e EGL, mas nem todos aplicam os mesmos critérios com igual exigência. De acordo com Daniel Mors, essa diferença de rigor é o motivo pelo qual comparar preços de diamantes só faz sentido quando as pedras vêm de laboratórios de nível equivalente.

Uma pedra classificada como cor F por um laboratório mais permissivo pode, na prática, corresponder a uma classificação inferior caso fosse reavaliada pelos critérios mais rígidos do GIA, o que muda diretamente sua faixa de preço justa no mercado.

Como o GIA se tornou referência mundial em classificação?

O Gemological Institute of America foi responsável por criar, ainda nos anos 1950, o sistema dos 4Cs, que hoje serve de base para praticamente toda a indústria de certificação de diamantes. Essa origem histórica, somada a décadas de padronização rigorosa, é o que consolidou o GIA como referência de comparação para os demais laboratórios do setor.

Isso não significa que outros laboratórios sejam necessariamente fraudulentos, mas que aplicam critérios mais flexíveis em determinados pontos, o que costuma resultar em classificações mais generosas do que as que a mesma pedra receberia se avaliada pelo GIA.

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Por que um laudo mais generoso pode distorcer o preço de uma pedra?

O problema surge quando o comprador não sabe dessa diferença e compara preços entre pedras certificadas por institutos distintos, como se estivesse comparando produtos equivalentes. Uma pedra com laudo mais permissivo pode parecer uma pechincha, quando, na realidade, sua qualidade técnica real é inferior à que o documento sugere.

Daniel Mors considera que vendedores interessados em melhorar suas margens de lucro às vezes recorrem justamente a laboratórios menos rigorosos, ou até a certificações internas sem qualquer independência, sabendo que a classificação tende a sair mais favorável do que sairia em um laboratório mais criterioso.

O que verificar no certificado antes de fechar negócio?

O primeiro cuidado é confirmar qual laboratório emitiu o laudo e pesquisar sua reputação dentro do mercado gemológico, já que a existência de um documento, por si só, não garante equivalência entre diferentes emissores. Também vale verificar se o número de identificação da pedra pode ser consultado diretamente no site do laboratório, prática comum entre instituições sérias.

Como aponta Daniel Mors, essa checagem simples e rápida, feita antes de qualquer negociação, evita que o comprador pague por uma classificação que, na prática, não resistiria a uma nova avaliação feita por um laboratório mais rigoroso.

O que essa diferença ensina sobre comparar diamantes?

A lição central é simples: dois laudos não são automaticamente comparáveis só porque usam a mesma terminologia técnica de quilate, cor, pureza e lapidação. O peso real de cada classificação depende de quem a emitiu, e ignorar essa diferença é abrir mão de um critério essencial de comparação entre pedras.

No fim, entender essa diferença entre laboratórios é o que separa uma negociação bem informada de uma comparação de preços feita às cegas, ignorando que o mesmo termo técnico pode significar coisas diferentes dependendo de qual instituição está por trás do laudo apresentado. Por outro lado, quando o comprador sabe exatamente qual laboratório emitiu cada laudo, ganha uma base sólida para negociar com confiança, reconhecendo o valor real da pedra em vez de se guiar apenas pela aparência do documento. 

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