O empresário Tiago Oliva Schietti destaca que quem está a dez ou quinze anos da aposentadoria costuma pensar em previdência privada, investimentos de renda fixa ou imóveis para gerar renda passiva. Embora poucos incluam o consórcio nessa conta, ele chama atenção para um uso específico da modalidade que tem ganhado espaço entre aqueles que planejam essa fase da vida com antecedência: usar o consórcio para adquirir, sem juros, o imóvel ou o projeto que marcará a aposentadoria.
A lógica por trás dessa estratégia é simples de entender, ainda que pouco explorada: em vez de esperar a aposentadoria chegar para só então começar a planejar a compra de uma casa de praia, uma reforma na residência ou até um novo veículo para aproveitar o tempo livre, o consórcio permite iniciar esse planejamento anos antes, diluindo o custo ao longo de um período em que a renda ainda é mais estável.
Por que o prazo longo deixa de ser um problema?
Em outras fases da vida, o principal ponto de atenção do consórcio costuma ser justamente o tempo de espera até a contemplação, que pode frustrar quem precisa do bem com alguma urgência. Para quem planeja a aposentadoria com uma década de antecedência, porém, esse mesmo prazo longo deixa de ser uma desvantagem e passa a ser, na visão de Tiago Oliva Schietti, praticamente um aliado: o horizonte de tempo do consórcio se encaixa naturalmente com o horizonte de planejamento da própria aposentadoria.
Diversificação: consórcio como parte de um conjunto maior
O empresário Tiago Oliva Schietti reforça, no entanto, que o consórcio não deveria ser a única estratégia de quem planeja essa fase da vida, mas sim uma peça dentro de um conjunto mais amplo de decisões financeiras. Combinar o consórcio com previdência privada, investimentos de longo prazo e uma reserva de emergência robusta tende a oferecer mais segurança do que concentrar todo o planejamento em uma única modalidade, por mais vantajosa que ela pareça em determinado momento.
O momento de dar lances muda com a proximidade da aposentadoria
Uma particularidade dessa estratégia é o uso de lances à medida que a data da aposentadoria se aproxima. Diferentemente de quem tem um prazo indefinido para aguardar a contemplação, quem planeja usar o bem exatamente na transição para a aposentadoria pode precisar acelerar esse processo nos últimos anos do grupo, direcionando parte de rescisões, restituições de imposto de renda ou outras entradas extraordinárias de recursos para reforçar o lance quando o momento se aproximar.

Consórcio de serviços também entra nessa conta
Vale lembrar que essa estratégia não se limita a imóveis ou veículos: consórcios de serviços, voltados a viagens ou reformas, por exemplo, também podem ser planejados com o mesmo horizonte, permitindo que o novo aposentado já comece essa fase da vida com um projeto pessoal concretizado, sem comprometer as economias acumuladas ao longo da carreira.
Vale a pena começar esse planejamento agora?
Para quem está a alguns anos da aposentadoria e ainda não considerou o consórcio como parte dessa estratégia, Tiago Oliva Schietti sugere simular diferentes cenários: comparar o custo total do consórcio com alternativas de investimento equivalentes e avaliar se o objetivo pretendido, seja um imóvel, um veículo ou uma viagem, realmente se beneficia de um prazo de planejamento mais longo.
Cuidado com o excesso de otimismo no cálculo
Um risco específico desse tipo de planejamento é superestimar a renda disponível nos anos que antecedem a aposentadoria, período em que despesas com saúde, apoio a filhos ou outras prioridades familiares podem competir diretamente com o valor destinado à parcela do consórcio. O empresário recomenda revisar periodicamente esse planejamento ao longo dos anos, e não apenas no momento da adesão, ajustando expectativas conforme a realidade financeira efetivamente se apresenta. É uma prática que vale, aliás, para qualquer estratégia de longo prazo envolvendo consórcio, mas que ganha peso ainda maior quando o objetivo final está diretamente ligado à transição para uma fase da vida com renda potencialmente menor.
Assim, ao integrar o consórcio a um planejamento financeiro mais amplo para a aposentadoria, o consumidor transforma um prazo que, em outras circunstâncias, seria visto como desvantagem, em um horizonte de tempo perfeitamente alinhado aos seus próprios objetivos de vida.
