Dúvidas comuns sobre como medir produtividade na empresa

Juliette Corvain Por Juliette Corvain 10 Visualizações
Márcio Pires de Moraes

A produtividade do trabalho no Brasil cresceu apenas 0,4% em 2025, e, na leitura de Márcio Pires de Moraes, profissional com experiência em análise financeira e composição de custos, o número reforça a importância de medir a produtividade empresarial dentro de cada negócio. O dado, divulgado em abril de 2026 pelo Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do Ibre/FGV, considera o valor gerado por hora trabalhada e mostra que o avanço do ano veio da agropecuária, enquanto indústria e serviços registraram queda. Na prática, produtividade é a relação entre o que a empresa entrega e os recursos que utiliza para isso.

O que significa produtividade empresarial na prática?

Produtividade mede quanto a empresa produz com determinada quantidade de recursos. Na indústria, pode ser expressa em peças fabricadas por hora de máquina. Em serviços, em atendimentos concluídos por colaborador. No comércio, em vendas por metro quadrado ou por funcionário.

A medida mais usada é a produtividade do trabalho, que relaciona a produção às horas trabalhadas. Também é possível medir a produtividade do capital, que considera máquinas, equipamentos e instalações. Para a maioria das empresas médias, começar pelo trabalho e pelos principais equipamentos já oferece um retrato útil. O importante é que a medida reflita a atividade principal do negócio e possa ser acompanhada ao longo do tempo com o mesmo critério.

Produzir mais não é o mesmo que produzir melhor

Uma empresa que aumenta o volume contratando mais pessoas ou ampliando horas extras pode não ter ganho algum de produtividade. Se a produção cresce na mesma proporção dos recursos usados, a eficiência permanece igual. O ganho real ocorre quando a empresa entrega mais com os mesmos recursos ou a mesma quantidade com menos.

No entendimento de Márcio Pires de Moraes, a confusão entre volume e produtividade leva muitos gestores a comemorar resultados que, olhados com atenção, escondem custos maiores por unidade produzida. O próprio dado nacional segue a mesma lógica, já que o valor adicionado da economia cresceu em 2025 quase no mesmo ritmo das horas trabalhadas.

Márcio Pires de Moraes
Márcio Pires de Moraes

Quais indicadores fazem sentido?

A escolha depende da atividade. Na indústria, um indicador bastante difundido é a eficiência global dos equipamentos, conhecida pela sigla OEE, que combina disponibilidade, desempenho e qualidade da produção. Em empresas de serviços, a relação entre horas faturáveis e horas disponíveis costuma ser mais reveladora. No comércio, vendas por funcionário e giro de estoque ajudam a entender o aproveitamento da equipe e do espaço.

Os indicadores de produtividade funcionam melhor quando acompanhados de medidas de qualidade, como índice de retrabalho e devoluções. Produzir mais peças com mais defeitos não representa avanço, e a combinação, como destaca Márcio Pires de Moraes, evita que a equipe persiga velocidade à custa do resultado final.

Como saber se o ganho é real ou esforço extra da equipe?

Alguns sinais ajudam a separar as duas situações. Se a produção por pessoa sobe ao mesmo tempo que crescem as horas extras, as faltas e a rotatividade, o avanço provavelmente se apoia em sobrecarga, e não em melhoria de processo. O efeito tende a desaparecer, ou até se inverter, em poucos meses. Uma forma de verificar é calcular a produção por hora efetivamente trabalhada, e não apenas por colaborador, já que o segundo cálculo esconde as horas adicionais.

Ganhos sustentáveis costumam vir de mudanças concretas na forma de trabalhar: eliminação de etapas desnecessárias, automação de tarefas repetitivas, melhor organização do espaço físico e treinamento. Quando a melhoria está no processo, ela permanece mesmo com a troca de pessoas na equipe.

Por onde começar a medição?

O ponto de partida é escolher poucos indicadores, definir como cada um será calculado e registrar o nível atual, que servirá de base de comparação. A medição mensal, sempre com o mesmo critério, permite identificar tendências e avaliar o efeito de cada mudança implantada.

Conforme observa Márcio Pires de Moraes, a medição só produz efeito quando os números chegam a quem pode agir sobre eles. Em um país em que a produtividade avança devagar, empresas que acompanham e melhoram a própria eficiência constroem uma vantagem competitiva difícil de copiar.

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